quarta-feira, 11 de março de 2009

Polis


No dia 8 de março de 2009, Dia Internacional da Mulher, um marido qualquer assassinou sua companheira com três tiros à queima-roupa - as ameaças já vinham sendo feitas há mais de um mês.
DEUS NÃO EXISTE.



Mataram a Mariazinha
E foi no seu dia...
Mataram a Maria sei lá das quantas

Hoje, justo hoje
Dia era de homenageá-la, coroá-la, engrandecê-la

Recebeu no seu dia três rosas quentes
Metálicas

Despetaladas as flores da Mariazinha
Sobraram-lhe os espinhos da vida
E amanhã, quem lembrará da Maria?

Aquela,
A uma que morreu no seu dia
De quem era Maria?

Além dela mesma

Choremos seu dia
Adeus,
vai...
à Deus, Maria!

domingo, 8 de março de 2009

Definição


É que oscilo
É porque sou feliz e triste
Decidido e indeciso
Sei tudo que não sei

Por isso sou difícil
Portanto não há o que entender
Porque vou de um lado ao outro
Parando em cada ponto
E talvez ainda voltando antes mesmo de ir
Sem mesmo saber se triste ou a sorrir

É porque sou tudo isso
Que sou eu.

sábado, 7 de março de 2009

Cresço


ao balanço da amizade contorno minhas mãos de criança
empurro-o com força
e ele faz ali a que veio
balançar

sorrio satisfeito um sorriso infantil

desconheço então
o mundo que espera

súbito cessará o balançar

lá, no futuro
o adulto sarcasmo
vê o sorriso da criança não chegar.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Desmonte




Conto os cílios
Vil e pobre

Aos poucos vou saindo
Distanciando, deixando, indo-me

Agora assim, desfaço-me da carne
Fio a fio
Ossos e vísceras abandono

Eu apenas
Eu pequeno, imperceptível

Detive detalhes sem importância
Apeguei-me demais a tudo que toquei

Não, não era eu

Assim, amiúde vivi
Agora, desfeito físico
Saio ventando por aí.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Me despedindo esperava


a existência é nossa
a curva não fomos nós que desenhamos

o desvio da rota, a fuga

o barco afasta-se do porto
no vão, entre barco e porto, perdemo-nos

o último aceno de um desconhecido foi para ambos
destarte
não somos mais continente ou bóia
à deriva estamos

somos das correntes marítimas,
a elas
e somente a elas pertencemos

por entre os vagalhões do alto mar poderemos estar para sempre

mas não!

nego-me a perder a vontade, a deixar-me levar inerte
tomo conta de mares e correntes
e assim, sem barco ou porto
levarei a ambos, eu e tu
em direção a nós mesmos
adentraremos um ao outro
e, nesse território que é só nosso
conseguiremos ser sinceros
reconheceremos

que eu te esperava
a cada aceno que dava.