quinta-feira, 5 de junho de 2008

Minhas Paredes, obra sem fim.

Não vejo razão dessa angústia
Arrepio que me agita as costelas
Minha construção
Não chegou ao reboco
Planta baixa de mim
Vejo que sou cômodos
Traçados, planejados, bem dispostos
Não executados
Não erguidos
É meu sono
Engano repouso

A razão de acordar
Casou-se com o mestre-de-minhas-obras
Em planta baixa me quedei

Em desenho um acômodo perfeito
De minhas paredes fiquei preso estreito.
Quem vos concedeu o direito?
Reformar sem acabar?
Não há jeito.
Antes deves me acordar
A obra terminar
Depois, podes me habitar.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Casório ou Velório?

Desordem cotidiana
Mão invisível
Segura e engana
Mostra o indizível

Acordar, viver, dormir
Viver acordado
Tornar a dormir
Dormir para viver de lado

Dia a dia, todos os dias
Regras comuns
Misturamos as guias
Invertemos sem mal nenhum

Agora é cotidiano
Sem surpresa
Circadianamente todo ano
Juntos, da cama à mesa.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Superficial

A muitas dou as mãos
Multiplico meu olhares
Todos vãos
Sempre sem pesares

Não sou egoísta
A todas reservo um quisto
Niilista?
Não, apenas bem visto

Caríssimas
A todas arranjo
Muitíssimas
Carícias de arcanjo

Suave a várias
Verdeiro a poucas
Torturo sem precárias
As faço loucas

Mas sofro contudo
Como poucos
Só, quieto e mudo
Soluço solto, xingamento rouco
Grito contido, contíguo, contigo
Grito comigo.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Par


Alguém em quem confiar
Boa questão
Em outro deixar-se levar
Sem mínimo não

Difícil tormenta
Pular cortês
A onda rebenta
Certeza em menos de mês

Como não ter paúra
Do par azul em teia
Que vira miúra
Sempre sem lua cheia?

A paz é pele solta
Alva em mim envolta
E negros fio a fio
Escorrem cabelos a leito de rio
Juntos, alvo negro e anil
Forçam em mim outro brio

Deito nesse leito
Feliz, durmo entre meu e teu peito.

domingo, 1 de junho de 2008

Astúcia

Envelhecer
Um a um desfiar os anos
Próximos de morrer
Ao ponto final resolutos vamos

Não há escolha
Não há o que faças
É vazão sem rolha
É a busca às traças

Esse é socializado
Tempo é pra todos
Mesmo pros que de lado
No espelho lotam a cara de lodos

Fuga estúpida, puro desmando
Sono de quem não acorda
Estás desfiando...
É a última linha de tua corda

Que fazes com tuas horas?
A finitude desse minuto
É pouco pro tanto que choras
Sorria, sê astuto.