segunda-feira, 5 de maio de 2008

Fim


Imortalizo a solidão
Em preto e branco
Cores presentes nos dias que foram
Cinzas depois do fogo
Um dia extingüe
É assim
Lei natural
Um dia acaba
Um dia



Acabou.

domingo, 4 de maio de 2008

Mudança




Agora quero linhas felizes
Chega de escrever insucesso
Mesmo que seja beijo de atrizes
Mesmo a esses quero acesso

Pode até ser fingimento
Aceito qualquer uma
Mesmo beijos de cimento
Quero toques de quem não se arruma

Velhas, feias ou belas algozes
Me importam que sejam mulheres
E com elas goze
Quero comer sem talheres

Grosseiro pensamento?
Não amigo
O fato é que não sou ciumento
Que todas em mim façam abrigo.

sábado, 3 de maio de 2008

A Ela


Amordecer os olhos
Vendar a boca
Te levo os óleos
Te largo louca

Me enjoa a pele
Me bronzeia as vísceras
Só não apele
Desse corpo as carnes míseras

Níqueis de calor
Hímen antigo
Nesse poema horror
Encontrou abrigo.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Coser


Jargões e clichês
Quantos eu te amo
Sempre em crochês
Repetimos os pontos todo ano

Mudam as linhas
Outros egos vêm
A outro ponto te alinhas
Mais um pra chamar de bem

Vida de eterno coser
Furto superficialidades
A outra prometo ao lado morrer
Mostro minhas qualidades

Cega costura
Crochê alcoviteiro
A emoção é pura
A outra enterro, feito coveiro.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O bêbado e sua fêmea


Vazia garrafa
Parceira de dança
Do bêbado abafa
Fêmea de vidro, não cansa

Alcoolizado a beija
A agarra a noite inteira
Mil fêmeas almeja
Mas só, fica na ladeira

Nesse leito de rua
Feito um só dormirão
Amantes, sua fêmea vazia e nua
Abraçados, vidro e homem se completarão.